"Corpo que se aproxima do meu procurando abrigo
E mesmo sem intimidade sabe que apenas
quer sentir a vida pulsar por entre almas
unidas abraçadas pela força de um amor
que surgiu de repente, quando cada um era só
desencanto cansado do amor sufocado da
cidade, um amor que a terra
faz questão de refletir constantemente
Já sinto seu corpo inquieto se encostando no meu
Não te olho agora, apenas ouço sua respiração curta,
quase inexistente, enquanto me aperta com vontade
e tenta esconder a agonia que cresce na busca
de algo que, nessas horas, acaba se perdendo
esperando por tudo que pode acontecer quando
o desejo encontra uma forma
de escorrer, fluir, às vezes junto com um medo de não
dar conta da situação que nos faz até esquecer de respirar,
situação que aquece mais quando encosto minha pele
que pede esse calor sem controle
Um calor que incomoda mas ao mesmo tempo alimenta e preenche
o vazio que grita durante o tempo que passamos
distantes e lembro dos seus olhos repletos de prazer
só com minha presença,
esse prazer chega devagar e, por isso mesmo, parece
ficar explodindo dentro de nós, tirando o sossego, infinitamente."