"Organismo Patológico Planetário" (ambientalista James Lovelock) - Para ele: "tecnologias verdes são embustes criadas por interesses..." "A maioria praticamente ignora a vida além da cidade..."
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Não se assustem com a resposta nervosa da nossa querida Natureza, a humanidade abriu o buraco em que se encontra e é muito feio, muito triste fingir que não vê!!
Leonardo Boff é teólogo e escritor:
"Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados. Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.
Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais. Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.
Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes. Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.
Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.
Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza. Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.
Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão. Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.
Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência. Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões. Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes. Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.
A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.
Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano. Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.
A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos. Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos."
FIB é um indicador sistêmico desenvolvido no Butão, um pequeno país do Himalaia. O conceito nasceu em 1972, elaborado pelo rei butanês Jigme Singya Wangchuck. Desde então, o reino de Butão, com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), começou a colocar esse conceito em prática, e atraiu a atenção do resto do mundo com sua nova fórmula para medir o progresso de uma comunidade ou nação. Assim, o cálculo da “riqueza” deve considerar outros aspectos além do desenvolvimento econômico, como a conservação do meio ambiente e a qualidade da vida das pessoas.
FIB é baseado na premissa de que o objetivo principal de uma sociedade não deveria ser somente o crescimento econômico, mas a integração do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual – sempre em harmonia com a Terra.
As nove dimensões do FIB são:
1) BEM-ESTAR PSICOLÓGICO
Avalia o grau de satisfação e de otimismo que cada indivíduo tem em relação a sua própria vida. Os indicadores incluem a prevalência de taxas de emoções tanto positivas quanto negativas, e analisam a auto-estima, sensação de competência, estresse, e atividades espirituais.
2) SAÚDE
Mede a eficâcia das políticas de saúde, com critérios como auto-avaliação da saúde, invalidez, padrões de comportamento arriscados, exercício, sono, nutrição, etc.
3) USO DO TEMPO
O uso do tempo é um dos mais significativos fatores na qualidade de vida, especialmente o tempo para lazer e socialização com família e amigos. A gestão equilibrada do tempo é avaliada, incluindo tempo no trânsito, no trabalho, nas atividades educacionais, etc.
4) VITALIDADE COMUNITÁRIA
Foca nos relacionamentos e interações nas comunidades. Examina o nível de confiança, a sensação de pertencimento, a vitalidade dos relacionamentos afetivos, a segurança em casa e na comunidade, a prática de doação e de voluntariado.
5) EDUCAÇÃO
Leva em conta vários fatores como participação em educação formal e informal, competências, envolvimento na educação dos filhos, valores em educação, educação ambiental, etc.
6) CULTURA
Avalia as tradições locais, festivais, valores nucleares, partipação em eventos culturais, oportunidades de desenvolver capacidades artísticas, e discriminação por causa de religião, raça ou gênero.
7) MEIO AMBIENTE
Mede a percepção das cidadãos quanto a qualidade da água, do ar, do solo, e da biodiversidade. Os indicadores incluem acesso a áreas verdes, sistema de coleta de lixo, etc.
8) GOVERNANÇA
Avalia como a população enxerga o governo, a mídia, o judiciário, o sistema eletoral, e a segurança pública, em termos de responsibilidade, honestidade e transparência. Também mede a cidadania e o envolvimento dos cidadãos com as decisões e processos políticos.
9) PADRÃO DE VIDA
Avalia a renda individual e familiar, a segurança financeira, o nível de dívidas, a qualidade das habitações, etc.
"A catástrofe é real e a mudança climática é um dos seus vários sintomas. O slogan inevitável da COP 15, “evitar a crise climática global”, é um elaborado embuste para ocultar o verdadeiro propósito da reunião de cúpula: restaurar a legitimidade do capitalismo global, através da instituição da era do capitalismo “verde”. A nova retórica do “para evitar a mudança climática” justificará a repressão, as fronteiras fortificadas, as guerras coloniais pelos recursos naturais. É preciso vestir o Imperador com novas roupas. Nossa resposta a esta mentira é um NÃO firme e absoluto.
Será preciso mudar muito mais do que os nossos simples hábitos em tempo de ócio para sustentar o mundo nos tempos futuros. Seria muita tolice depositar as nossas esperanças nos mesmos que continuam a destruir o planeta por dinheiro. Em Copenhague, eles irão discutir como transformar a a biosfera em mercadoria para continuar a poluir, despejando milhões de pessoas de suas terras para extrair os lucros do que resta em nosso planeta. Governos e corporações não irão sacrificar seu crescimento para reduzir as emissões de carbono ou só aceitarão as reduções para criar um novo regime autoritário para si mesmos..."
OBS. pessoal: Com lucro e apenas isso dentro da cabeça dos protagonistas dessa Conferência/ Cúpula vamos ver mais do mesmo, infelizmente!! Promessas de reduções p/ daqui não sei quantos anos??!! Não é possível! Por quê o foco também e, principalmente, não está na mudança do sistema econômico, do estilo de vida da humanidade consumista????
Curiosidades sobre o Saci:
- no início era um indiozinho protetor da floresta. Tinha duas pernas.
- depois foi adotado pelos negros e virou negro. A perda de uma perna tem várias histórias. Uma delas é que ele foi escravizado, ficou preso pela perna, com grilhões, e cortou a perna presa. Preferiu ser um perneta livre do que escravo com duas pernas.
- dos brancos, ganhou o gorrinho vermelho, presente em vários mitos europeus. O gorrinho vermelho era também usado pelos republicanos, durante a Revolução Francesa. Na Roma antiga, os escravos que se libertavam ganhavam um gorrinho vermelho chamado píleo.
OBS: Conheça o Brasil primeiro, seja seu País primeiro. Senhores Pais, por favor, mostrem o Brasil (folclore, raízes, cultura, histórias, belezas turísticas, crenças...) para seus filhos desde muito pequenos, tenha interesse pelo Brasil e dê o exemplo para eles. Quem inventou que para ter o tal "status" precisa ir para o exterior, ser internacionalmente viajado, fazer suas crianças se interessarem primeiro pelas letras em inglês, pelas atrações importadas????
A PESSOA MAIS INTERESSANTE (de valores, exemplo, etc.)QUE CONHECI NA VIDA ATÉ HOJE, PESSOALMENTE MESMO, NÃO ERA VIAJADA. Ela tinha condições financeiras, mas isso não era importante!
Seja primeiro seu País, para depois sim, trocar, conhecer e respeitar outros mundo afora. Assim você ajuda a preservar a diversidade. Uma única cultura não pode e não deve dominar a humanidade! Essa tentativa já causou estragos além da conta, infelizmente, você pode ajudar a mudar essa realidade infeliz, assim como muitos que já se libertaram e/ ou que nunca se deixaram levar pela imposição!
Logo abaixo um texto que escrevi depois de assistir no cinema o filme "Dois Filhos de Francisco", ele estava em um outro Blog que não existe mais e eu senti a necessidade de colocar aqui, pois tem a ver com a querida Dupla Sertaneja que sempre cantou sem parar dentro do meu coração e faz isso até hoje!
Já escutou esse moço tão especial cantando junto com seu irmão Luciano no meio da madrugada, sozinho(a) ou viajando pela estrada quando a tarde começava a cair e o Sol derramava aquela cor linda no céu? E na hora as lágrimas surgiram e escorreram fora de seu controle em uma emoção absurda??! Eu sinto isso muitas vezes com o jeito de cantar de Zezé Di Camargo, é uma mistura de dor com prazer, um sentimento forte que bagunça tudo por dentro, quase inexplicável!
"No meio da conversa/ de uma caso terminando/ uma fala o outro escuta/ os olhos vão chorando/a lógica de tudo é o desamor que chega/ depois que um descobre que o outro não se entrega..." ("Dois corações e uma história" Zezé di Camargo & Luciano)
"2 Filhos de Francisco" despertou um sentimento especial e único dentro de mim! Algo que nunca senti com nenhum outro filme, já assisti vários (internacionais e nacionais), gosto de muitos, mas nada me deixou nesse estado de graça, de encanto. Já sentiu total plenitude e felicidade no cinema? Sabe o que é se identificar com tudo? Cada cena é um acontecimento! Em épocas de produções high-tech, consumismo, brutalidade, falta de valores e raízes, essa obra mostra o contrário e cai como uma gota de resgate, verdade, simplicidade e alívio!
A sociedade, os ditos "intelectuais", criaram seus conceitos e suas regras, achando que eram donos da verdade, nos sufocando quando criticavam, querendo nos avisar: "vocês devem escutar/vestir/pensar isso ou aquilo, assim é certo de outro jeito não presta, é errado"! E eu sempre ficava extremamente chateada quando escutava comentários ridículos ao meu redor na minha adolescência... A gente simplesmente tem que dizer: "Quero ser feliz, independentemente do que os outros vão dizer"!!!!
Cada um é tocado por determinado artista e isso tem que ser respeitado e pronto.
Minha admiração por Zezé di Camargo & Luciano vem desde o início da adolescência quando vi esses queridos a primeira vez no programa "Sabadão Sertanejo" (SBT).
Esse belíssimo filme brasileiro está aí pra dizer CHEGA!!!!!! Quem conhece o trabalho deles e não curte, tem total direito, claro, mas preconceito não! As músicas de Zezé di Camargo, com aquela voz maravilhosa, dentro do cinema, combinada cuidadosamente com as cenas, cortam alma! É de arrepiar e estremecer! Como é bom ver nossa cultura, história e vida na telona! As atuações, os olhares, a delicadeza do elenco, tudo está envolvido numa ingenuidade tão grande que emociona absurdamente. No exato momento que Zezé (Marcio Kieling) e Zilu (Paloma Duarte) se conhecem, existe uma amor a primeira vista que parece nem rolar mais na realidade, uma respiração ofegante, longa e forte, enquanto os dois conversam e trocam olhares.
Aquele pai apaixonado por música, no alto da sua extrema simplicidade, treinando os filhos para a carreira artística, sofrendo junto, acreditando mesmo atolado em tanta miséria, depois gastando todo salário em intermináveis ligações no orelhão para a tal rádio tocar "É o amor", pedindo para a maioria de seus amigos de trabalho ligar também para fazer de "É o amor" grande sucesso!
Zezé di Camargo é o melhor cantor do mundo pra mim e o filme o melhor de todos dentro do meu coração! Já passei por grandes sofrimentos em minha vida e alguns artistas Sertanejos foram os únicos que me seguraram bastante, em especial Zezé Di Camargo, é como alívio, um remédio, uma fonte de recuperação.
A gente sai do cinema com mais orgulho ainda de ser fã, outros começam a gostar do trabalho da dupla depois do filme, isso é ótimo!!!!! É evolução! As letras e a voz de Zezé são uma das coisas mais lindas que existem nesse Planeta. Que história de vida, que persistência, perseverança! Nunca precisei ouvir ou ver alguém da MPB tradicional falando bem da dupla ou cantando suas músicas para admirá-los! Isso tudo já estava dentro do meu ser, com um carinho imenso!
Ô trem bão demais!
Quando enviei para a Revista Virtual do TIG "CANTA PRA MIM, VOZ DA NOSSA TERRA ABENÇOADA!" a minha grande inspiração foi esse Moço, como sempre!!
Quem quiser ler:
Os berrantes surgiram há mais de três séculos, época em que o próprio tropeirismo dava seus primeiros passos e talvez seja por isso mesmo que é tão difícil desassociar uma coisa a outra. Ao nascer, o berrante tinha uma primeira função: ajudar os tropeiros a agrupar os animais. Os primeiros berrantes eram feitos do chifre do boi pedreiro - antiga raça surgida em meados de 1910 cujos chifres podiam chegar até 1,50m de comprimentos - mediam mais de um metro, eram fundamentais no transporte de boiadas de até 85 marchas e seu som era bastante grave.
Em seguida surgiram os berrantes com anéis de prata, suas bocas mediam até 40centímetros e eram utilizados para chamar vacas e bois para dar sal ou fazer transporte ou, ainda, quando a bóiada estava pronta.O som de um berrante, no silêncio do sertão, pode ser ouvido a 3km de distância.
O bom berranteiro consegue o som certo, algo que se assemelha a um longo pluuummmm, quando o som é de um longo Fuuufuuu é sinal de que o instrumento está sendo mal tocado. Se fosse criado um glossário dos tropeiros, estradões seriam definidas como viagens, dias como marchas e o berranteiro seria conhecido como porteiro. De acordo com a região do Brasil, berrantes podem ser chamados de: binga, guampo, buzina ou berrante. O berranteiro nunca o carrega pendurado, trata o instrumento com azeite de mamona, jamais coloca bebidas alcoólicas e o mantém sempre limpo.
Características do Berrante
- A ponta do berrante recebe o nome de bocal.
- Berrantes com emendas deixam o ar vazar, por isso, às vezes são apenas bonitos.
- Berrante é cultura, folclore, saudade.
- O som deve ser limpo e ter sentimento, caso contrário irrita o berranteiro; O som do berrante é contagiante, conquista mundos, corações, religiões, rádios, TV, jornais, cavalgadas, missas... Não tem paleta, corda, teclado. A nota é dada na boca do berranteiro e cada berranteiro cria um estilo próprio e traz saudades, alegrias, emoções e às vezes leva lágrimas. Quanto menos se coloca a boca no bocal, melhor é o som . Locais solitários onde o som não irrite ninguém criam uma certa mística; O bocal tem o lado certo, por isso existem berrantes para destros e canhotos.
TIPOS DE TOQUES
»Saída"Solta"
É um toque quando da saída da boiada do seu pouso. O capataz ele vai até a porteira para contar a boiada, enquanto o ponteiro ( berranteiro)executa o toque. Ouvir Toque
» Estradão
Quando a boiada toma o corredor ( estrada ) e vai seguindo calmamente o ponteiro da o toque de estrada. O som deste toque agrada muito a boiada. Ouvir Toque
» Rebatedoro ( Toque perigo )
É um toque utilizado para chamar um peão que esta no meio da boiada para vir junto com o ponteiro, no qual irá cercar uma encruzilhada, evitando assim que a boiada se separe ou para auxiliar quem está la na frente em caso de uma situação de emergência qualquer. Ouvir Toque
» Queima do alho – ( Almoço )
Neste caso o cozinheiro da comitiva vai na frente, umas duas horas aproximadamente, e quando acha um lugar ideal para o descanso da boiada, freqüentemente junto de um riacho ele para fazer o almoço. O ponteiro ao avistar o cozinheiro. ele executa este toque para avisar os peões para adiantar a marcha da boiada. O boi também aprende este toque porque ele associa pelo condicionamento que vai descansar e beber água.
"Acabo de viver a rica experiência de editar o Plano B 4.0-- Mobilização para Salvar a Civilização, o importante livro de Lester Brown, um dos mais notáveis pensadores mundiais da sustentabilidade.
Fundador do WorldWatch Institute, em 1974, e presidente do Earth Policy Institute desde 2001, Brown ficou conhecido pela série de relatórios “O Estado do Mundo” e também por ser um militante de ideias claras para os grandes desafios ambientais da humanidade. Nesses tempos de aquecimento global, ele tem sido um porta-voz qualificado da transição para uma economia de baixo carbono e interlocutor frequente de líderes políticos em todo o mundo.
Seu Plano B para “salvar a civilização” baseia-se em quatro metas interdependentes: estabilizar o clima e a população, eliminar a pobreza e restaurar os suportes da natureza, como água, solo e ar. Convicto de que é possível mudar, Brown se apoia em um repertório de experiências mundiais bem-sucedidas que podem ser replicadas no esforço necessário e urgente, por exemplo, de reduzir o uso de água para irrigação, melhorar a produtividade do solo para segurança alimentar, planejar cidades mais centradas nos indivíduos, reflorestar áreas degradadas, controlar a natalidade ou incorporar o custo do carbono no preço de produtos.
Brown é um homem de ideias coerentes. Há pelo menos uma década, ele defende que persistir no “business as usual” levará a um aumento no número de estados em falência e a um esgotamento dos recursos naturais, colocando sob ameaça a existência humana na terra.
O modelo econômico baseado no consumo de combustíveis fósseis, no carro como senhor da mobilidade e em produtos descartáveis tem, portanto, os seus dias contados. A nova economia precisará ser erigida em torno de energias renováveis, de sistemas de transporte diversificados e da ideia de reuso e reciclagem de todos os materiais. Alterar a rota é, urgente e, principalmente, viável na medida em que a humanidade dispõe de tecnologia e capacidade política suficientes. Resta saber, no entanto, como sugere o autor no epílogo do livro, se está preparada para fazê-lo “em velocidade de tempos de guerra.”
Na provocativa análise de Brown, as grandes transformações sociais podem ser classificadas em três modelos. Um é o da catástrofe, segundo o qual apenas acontecimentos dolorosos mudam a forma de pensar e agir de uma sociedade. O outro sugere que uma sociedade só se transforma de fato após um longo período de mudanças graduais de pensamento e atitude. E o terceiro prega que a toda mudança importante advém de uma conjugação de grupos de pressão com o respaldo de lideranças políticas.
Muito apregoado pelos cientistas, o primeiro modelo –na visão do autor-- apresenta uma clara fragilidade. Esperar por um evento ambiental catastrófico, desses que mobiliza o mundo todo, pode ser tarde demais para solucionar a questão climática. Em entrevista que fiz, há dois anos, Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC das Nações Unidas, afirmou temer que as pessoas só aprendam a partir de tragédias.
O segundo parece ser, na visão de Brown, um pouco mais interessante. Sua vantagem é a consistência. Para ilustrá-lo, ele lembra o caso do declínio do tabagismo nos Estados Unidos.Três décadas de intenso movimento de oposição ao cigarro, baseado em contra-informação, restrições à publicidade, tributação adicional do produto e uma montanha de multas, amadureceram a sociedade para o tema.
Para o presidente do Earth Policy Institute, o terceiro modelo é o mais eficaz na medida em que permite promover mudanças de forma mais rápida. Em sua defesa, Brown destaca o casamento mais recente do ideário dos movimentos por uma economia de baixo carbono com a agenda do presidente Barack Obama, que culminou, por exemplo, na suspensão da construção de novas usinas movidas a carvão nos EUA.
Botar em ação o Plano B exige, sobretudo, vontade política e um novo modelo mental, não mais preso aos ditames da economia clássica, da visão antiquada de desenvolvimento que aparta a esfera econômica da ambiental e social. Recursos financeiros não são exatamente um obstáculo. Somados os valores das metas sociais e ambientais, consegue-se viabilizar o Plano proposto por Brown a um custo de US$ 187 bilhões por ano. Entre as medidas sociais, estimadas em US$ 77 bilhões, estão educação primária universal, erradicação do analfabetismo, merenda escolar para os 44 países mais pobres, saúde reprodutiva e planejamento familiar, saúde básica universal e disseminação do uso de preservativos. Entre as ambientais, avaliadas em US$ 110 bilhões, incluem-se o plantio de árvores para sequestro de carbono, contenção de enchentes e conservação do solo, proteção da biodiversidade e estabilização dos recursos hídricos. Para se ter uma idéia do que significa esse dinheiro, ele equivale a 13% dos gastos militares feitos por todos os países do mundo para “defender” a humanidade.
Pode haver melhor investimento para defesa da humanidade do que a saúde do planeta?"
Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor da consultoria Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.
O barulho do trovão deixou meu sono
na camada superficial.
Trovão fora de hora, fora de época
parecia dizer alguma coisa diferente
queria falar, avisar, chamar nossa atenção desviada
E quem canta no seu coração quando o susto acorda?
É quem acessa o ponto certo.
Quem fala ao seu coração diretamente, quem nunca pára de cantar lá dentro? Canta tão bonito que a gente imediatamente identifica e se esquece de tudo só para escutar profundo.
Descubra, lembre-se, é como encontrar a cura, o sossego, a esperança que tantas vezes passa a ser fina, transparente.
Quem verdadeiramente canta ao seu coração, te chama para o lugar de origem, para a natureza interior, te devolve a vida que ficou distante e ainda bate com força em seu corpo querendo sair!
Não importa quem canta nesse espaço que só você conhece, o que importa é que apenas esse alguém tem a chave, o remédio, a sintonia que te desperta novamente, tenha orgulho dele e exija respeito! Outros também compartilham da mesma chave.
O olhar e jeito ríspido dos outros em almas com sensibilidade aguçada é como o trovão nervoso e interminável no meio da escuridão e do silêncio absoluto.
Quem canta ao seu coração ameniza bastante a rispidez e o julgamento daqueles que acham que o mundo gira apenas em volta de uma única possibilidade. Eles não merecem seu tempo!
"Apesar de já ter me referido, aqui, diversas vezes, não custa nada repetir que a estética do videoclip incorporada à narrativa cinematográfica contemporânea, principalmente aos produtos oriundos da indústria cultural de Hollywood, destrói o prazer de ver um filme pela impossibilidade de contemplá-lo devidamente. Para acompanhar a "velocidade" das mentes internéticas, a indústria descobriu que a melhor fórmula de envolver o espectador que não pensa e é apático é aquela baseada nos cortes incessantes e nas tomadas bem rápidas.
Até mesmo filmes razoáveis e bons, como "Frost/Nixon", de Ron Howard, estão estruturados nesta estética, que já foi denominada de "estética da tesourinha". Poucos os realizadores que possuem o "conceito" de duração das tomadas com a exatidão e o ritmo desejados pelo grande cinema. Para ficar num exemplo: Stanley Kubrick possuía um sentido exato da "durée" do plano. O conceito bem aplicado faz com que o espectador se envolva no espetáculo, a se tornar, dele, cúmplice. O que não é possível no cinema "montanha-russa" dos tempos atuais.
O público adolescente e "aborrecente", que é o alvo da indústria, não pensa, não contempla, e faz da ida ao cinema uma das fases do "shoppear". O filme é o que menos conta para a platéia de adolescentes que lotam as salas dos complexos aos sábados. Os espectadores atendem aos celulares e conversam o tempo todo, riem fora de hora, põem os pés (as patas) nas cadeiras dianteiras, quando não infernizam quem está na frente com "toques" infernais, e há, atualmente, uma tendência a se falar constantemente não somente ao telefone (que virou uma praga) como também com o amigo(a) ao lado. Sem falar, é claro, na comilança desenfreada (bacias e não mais saquinhos de pipocas, cheerburgueres, guloseimas gerais).
A conclusão a que se pode chegar é que o filme "montanha-russa" é reflexo da mentalidade da platéia, pois a indústria somente se interessa pelo lucro e, portanto, oferece apenas o que o público solicita. E as pessoas que vão hoje ao cinema não se interessam em espetáculos engenhosos e inteligentes. Basta que possuam ação, tensão, efeitos especiais mirabolantes. A ausência do humanismo nos filmes contemporâneos é flagrante. Os personagens não possuem aquele tão necessário poder de verdade, de convencimento, mas são apenas e somente marionetes condutoras da ação proposta, títeres robóticos de um cinema sem alma.
Por outro lado, nesta crise da cultura contemporânea, há a tendência de se diluir autores importantes e viscerais, a exemplo do genial Nelson Rodrigues. Como bem observou a ensaísta de cinema Andrea Ormond em seu blog "Estranho encontro", ao fazer uma análise das adaptações cinematográficas do grande dramaturgo, a tendência de diluir é uma constante nestes tempos contemporâneos numa espécie assim de "imitação da arte".
A onda politicamente correta que assola e destrói a liberdade e a criatividade é outro fator que ajuda muito a crise cultural. Havia uma atitude visceral que agora se edulcora. Não existem mais autores de visceralidade sedutora como Pier Paolo Pasolini (principalmente no escatológico "Saló", seu canto de cisne), Marco Ferreri ("A comilança"), entre muitos outros que vingaram no pretérito. Uma tendência dessa diluição crítica pode ser encontrada como exemplo em "Beleza americana", de Sam Mendes, uma visão aparentemente crítica, porém dentro de uma vontade de edulcorar que sufoca o que se pretende ser visceral.
Apesar da salgalhada desse artigo, há elos comunicantes entre os assuntos abordados, que refletem bem o fundo do poço a que se chegou no que teimam em chamar pretensiosamente de contemporaneidade: o comportamento selvagem da platéia das salas exibidoras, a apatia diante da arte, a ausência de humanismo nos filmes e na vida, a diluição de temáticas fortes e de autores viscerais em função de uma apreciação dentro de moldes à la "delicatessen", a transformação do "transitar na urbis" em shoppings centers com seus imensos fasts foods.
E as assim chamadas "salas de arte" não se encontram livres da agitação. Aqueles que as frequentam fazem-no mais por festividade, para aparecer, do que, propriamente, pelo amor ao cinema. A diluição, a falta de base referencial, a completa ausência da cultura literária, e a proliferação dos "monossílabos" nos sites da internet, bem que são sintomáticos de uma crise cultural sem precedentes. O paradoxal em tudo isso se encontra na possibilidade extraordinária de se obter informações como nunca se viu antes no "quartel de Abrantes".
O que reina é o império do audiovisual. A facilitação da expressão através das imagens em movimento se, por um lado, democratizou o acesso às câmeras digitais, por outro, determinou uma enxurrada de "inexpressividades", como se pode observar nas dezenas de eventos que acolhem os pequenos filmes realizados pelo digital. Antes, o acesso à expressão cinematográfica era muito difícil. Havia a bitola 16mm, mas os custos, altos, não permitiam que qualquer um pudesse manipular a câmera, que exigia um mínimo de conhecimento técnico.
Filma-se hoje como antigamente se fazia poesias. Se, antes, as pessoas, que queriam se expressar, faziam-no pelos versos, e, quando publicados em suplementos literários ou revistas, sentiam-se revigorados, atualmente é o filme o móvel expressivo da nova geração. Bom que assim seja, mas o tempo, sempre implacável, se encarregará de reter o que presta e devolver, à lixeira do esquecimento, as tolices feitas."
André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
A notícia publicada na internet nesta segunda-feira era assustadora: “Ônibus de SP começam a transmitir programação da TV Globo”. Parecia piada de Primeiro de Abril, mas não era.
Na primeira fase do projeto, as televisões instaladas dentro de alguns ônibus da capital exibiriam trechos das novelas e de alguns programas jornalísticos no estilo programa de fofocas – apenas os “melhores momentos” com legendas em letras garrafais. Em seguida, a ideia era explorar o potencial trazido pela TV digital e transmitir ao vivo a programação para dentro dos ônibus.
Vale lembrar que o modelo da TV digital brasileira, aprovado pelo ex-funcionário da Globo e ministro das Comunicações Hélio Costa, atendeu a quase todas as exigências feitas pelas emissoras de televisão.
Um dia depois do anúncio, a Prefeitura resolveu suspender o projeto baseada em uma frágil portaria que prevê que o conteúdo das televisões dentro de ônibus deve ser enviado com uma semana de antecedência para a avaliação da SPTrans, o que inviabilizaria a exibição de programação ao vivo ou mesmo do resumo das novelas.
“Frágil” pois a história de adaptações da lei em benefício da emissora não é exceção. A Globo nasceu de uma ilegalidade: em 1962, o grupo de Roberto Marinho assinou um contrato ilegal com o grupo estrangeiro Time-Life (a participação de grupos estrangeiros em empresas de comunicação brasileiras era ilegal na época), conseguindo capital suficiente para montar o seu canal de televisão. Ficou por isso mesmo. Em 1970, a única emissora que poderia concorrer com a Globo em escala nacional (a Excelsior) teve sua concessão cassada pela ditadura militar. Nascia aí o maior monopólio comunicacional do país.
Para quem já contrariou a Constituição Federal, não será difícil superar uma portaria municipal.
A emissora que nasceu no Rio de Janeiro agora consolida seus domínios no território paulistano, centro econômico e político do podre país. A ex-prefeita Marta Suplicy chegou a mudar o nome de uma avenida em homenagem ao Cidadão Kane brasileiro. É de Marta também o projeto da ponte estaiada, concluído com euforia pela gestão Serra-Kassab e transformado antes do nascimento em “cartão postal da cidade”. Coincidentemente, o “cartão postal” fica ao lado da sede da emissora, construída no maior foco recente de especulação imobiliária, a chamada “região da Berrini”. A principal função da ponte é servir de cenário para o telediário oficial da cidade, o SPTV, exibido pela emissora dos Marinho.
O projeto de exibir conteúdo de uma emissora de televisão dentro de um espaço que, em última instância, pode ser chamado de “público” (o ônibus) é uma afronta ao bom senso e uma cusparada na cara de quem usa o (ainda) péssimo transporte público sobre pneus. Transformar um direito (o transporte) em veículo de colonização mental e tele-imbecilização compulsória é repugnante. Mais assustador ainda se considerarmos que o direito ao transporte é vendido ao cidadão.
A inciativa da Globo não é única, ela apenas se antecipou à concorrência. Outras emissoras, como Record e Bandeirantes, também tem planos para utilizar os ônibus como veículo de tele-idiotização em massa. Sendo o transporte coletivo sobre pneus em São Paulo um grande negócio, e não um direito da população, é difícil imaginar que as iniciativas não irão vingar.
Uma televisão compulsória deve ser o sonho de todo canal de televisão na era da fragmentação digital. E certamente é mais um passo para a materialização de sonhos totalitários recorrentes na história humana.