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Raízes Profundas e Intensas
Raízes Profundas e Intensas
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Sensibilidade arrasada pela "Moral da Civilização Infeliz"!!

As pessoas devem se preocupar mais, muito mais, com suas Próprias Vidas! Alguém disse (não consigo lembrar o nome certo, pois são inúmeros os depoimentos) que Michael Jackson agora não está mais sendo torturado pela "moral da civilização".

Julgamento com piadas infelizes que nunca entendi! A civilização "criou" seu manual de conduta moral se achando dona do certo e do errado. Grande tragédia!
Eu espero que todos aqueles que julgaram, fofocaram possam sentir na pele como foi o calvário e a tortura que Michael enfrentou. E, graças a Deus, Ninguém Morre, essa certeza eu tenho.





July 1, 2009 | 11:07 AM Comments  0 comments

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"Mulheres que Correm com os Lobos"...

Algumas pessoas perguntam se existem mais textos criados por mim pela internet afora...apenas aqui na Panorama, quem quiser ler é só clicar:
http://www.tigweb.org/express/panorama/search.html?AuthorID=101652&Search=Search

Ah! Aproveito para destacar o Livro "Mulheres que Correm com os Lobos" (Clarissa Pinkola Estés)! Não deixe de Recuperar, Resgatar, colocar em Prática a Mulher Selvagem no seu sentido mais penetrante, latente, xamânico, seja qual for sua idade! Tenha orgulho da Natureza que habita seu Ser!

June 23, 2009 | 2:45 PM Comments  0 comments

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Gigante da indústria da carne pratica atividades ilegais na Amazônia

O Frigorífico Bertin, maior exportador de carne e um dos maiores grupos do setor no mundo, está envolvido em uma série de escândalos relacionados às atividades na região Amazônica, financiadas pelo IFC (sigla em inglês para Corporação Financeira Internacional) – braço financeiro do Banco Mundial. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o frigorífico teria negociado com autoridades do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para evitar pagar multas por não respeitar leis ambientais e adquirir gado apreendido por um preço abaixo do mercado.

Bertin, que em 2007 recebeu R$ 90 milhões do IFC para desenvolver atividades da pecuária na Amazônia, foi multado três vezes pelo órgão nos últimos nove meses devido a irregularidades ambientais em seus frigoríficos localizados no Pará. No entanto, as multas que totalizam o valor de R$ 3, 4 milhões, não foram pagas. De acordo com Luciano Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do instituto, as multas foram “esquecidas” pelos agentes locais do Ibama. Já a funcionária do órgão, Cleonice Aires Pereira, negou a afirmação de Evaristo, dizendo que a o “esquecimento das multas” foi uma decisão deliberada pelo Ibama.

O jornal descobriu ainda que, alguns dias depois de ser multado, o frigorífico comprou do instituto 3.046 cabeças de gado, que tinham sido apreendidas pelo Ibama. Bertin teria pago cerca de um quarto do preço de mercado, R$ 1,2 milhões. De acordo com funcionários do Ibama, o órgão teria deixado de cobrar as multas para vender, ilegalmente, o gado apreendido.

Segundo o deputado federal, Luciano Pizzatto (DEM), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, teria sido avisado pelo parlamentar sobre a negociação ilegal entre Bertin e o Ibama que, após o vazamento da informação, registrou, no final de abril de 2008, as multas oficialmente. A execução do registro no sistema do órgão foi feita em agosto de 2008.

Financiamento
As atividades do frigorífico começaram a se expandir na região amazônica em 2006. Atualmente, ela opera no Pará, Rondônia e Mato Grosso. Inicialmente, sua expansão foi financiada por um empréstimo controverso do IFC.

No último ano, Bertin recebeu um financiamento de US$ 1,7 bi, equivalente a R$ 3,3 bilhões. De acordo com um documento feito organizações não governamentais ao Banco Mundial, em março de 2007, o empréstimo do IFC foi aprovado sem respeitar os procedimentos internos no banco – omitindo a maior parte dos estudos ambientais e dando informação incompleta e enganosa ao conselho.

Segundo um estudo do Greenpeace que será lançado na segunda-feira (1), grande parte do gado do frigorífico é ilegal. A empresa, segundo o relatório, também está envolvida com o trabalho escravo.

A Associação Brasileira dos Exportadores de Carnes - em resposta ao estudo A Hora da Conta, feito pela organização Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, reconheceu que seria impossível para qualquer grande frigorífico operar legalmente na Amazônia.

Segundo o diretor da organização, Roberto Smeraldi, esta situação “é uma consequência óbvia da deliberada falta de uma efetiva diligência por parte de brasileiros e instituições financeiras internacionais que subsidiam atividades pouco rentáveis se conduzidas na legalidade”

http://www.amazonia.org.br
Copyright © 2009 Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. - Todos os direitos reservados.

OBS: Carta aberta da senadora Marina Silva ao presidente da República - MP 458 - Amazônia
http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/carta-aberta-da-senadora-marin

June 11, 2009 | 11:11 AM Comments  0 comments

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"Uma verdadeira consciência ecológica enfrenta radicalmente o discurso da propriedade privada"

Luis Sabini é jornalista, editor da Revista Futuros e coordenador de Ecologia na disciplina de Direitos Humanos da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires (UBA), na Argentina. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu à ANA.

Agência de Notícias Anarquistas > Como surgiu seu interesse por questões ambientais, natureza...

Luis Sabini < Tenho a impressão que desde muito pequeno, ligado com certo respeito e espanto pela natureza. De pequeno “trabalhei” em casa empacotando talheres de plástico. Causava-me má impressão terminar minhas curtas jornadas com as mãos “coloridas” dos talheres. Parecia-me insensato colocar na boca semelhantes utensílios. Logo, nos anos 60, uma série de artigos sobre doenças “industriais”, o aquecimento global e o derretimento das calotas polares, publicados no semanário Marcha, de Montevidéu (1939-1974), me pus definitivamente no campo ecológico.

ANA > Você também fez parte da Comunidad del Sur no Uruguai, foi preso político, viveu no exílio...

Luis < Falar desses “pequenos capítulos” de minha vida... daria um livro... A Comunidade Del Sur foi um “invento” que abracei em minha juventude, com nenhuma experiência e muita garra. Pouco a pouco fui aprendendo que era praticamente o oposto do que se devia praticar. Como já havia visto que se passava em relação ao catolicismo e ao comunismo, que as ideologias declaravam uma coisa e que na realidade faziam exatamente o contrário.

A Comunidade Del Sur era uma experiência política verticalista que declarava ser horizontalista, foi se convertendo em uma empresa com êxito, que afirmava ser anticapitalista, defendia publicamente a liberdade e vivíamos uma vida cotidiana absolutamente regida por “deveres”. Por isso, a quantidade de pessoas que se interessaram por essa experiência foram centenas, mas a permanência no grupo sempre se reduziu a poucas dezenas, e no momento mais “intenso” apenas dez, ou cinco, fazendo algumas distinções.

Foi um patético engano. Não no sentido vulgar ou jurídico, mas no seu sentido filosófico. Por isso, se chegou a delírios como “a construção do novo homem”, que em geral não se conhece porque o alcance da Comunidade Del Sur tem sido pequeno. Salvo dentro da “família anarquista” onde se há feito muito pouco, mas existe um culto a ela.

ANA > E a revista “Futuros”, como nasce?

Luis < “Futuros” nasceu como uma necessidade minha. Nos anos 90 tive a alegria de ter uma coluna em uma pequena revista, mas com importante valor histórico “Cadernos de Marcha” (“filha” de Marcha, mais precisamente). Ainda que a coluna não fosse assim tão “livre” como eu esperava, era a forma que eu tinha de “ajustar as contas” com muitas questões políticas e ecológicas tão mal argumentadas, segundo o meu modo de ver, claro.

Mas o Cadernos fechou abruptamente depois de um trágico acidente automobilístico, que terminou com a vida da diretora de produção e do diretor editorial (filha e neto do fundador de “Marcha”, Carlos Quijano).

Voltei a estar “bloqueado”, ou melhor dizendo, o tempo de jornalista free-lance, de ter artigos quando são aceitos... Isso fez com que eu me decidisse a “fazer” uma revista.

ANA > A revista aborda temas e lutas ambientais, certo?

Luis < Em “Futuros” tratamos de questões que consideramos importantes e que não figuram nas agendas midiáticas, ou, quando sim, estão com idéias enviesadas, graças aos capitalistas de plantão. Falamos de questões como o problema alimentar do mundo, das comidas “sujas”, da invasão de aditivos químicos no cotidiano, ou de outra invasão que sofremos na última década, de alimentos transgênicos, que nos obrigam consumir sem nem ao menos sabermos se são ou não organismos geneticamente modificados.

Claro que não nos atemos somente a esta questão; também ao aquecimento global, as assimétricas relações entre o centro e a periferia, e a fé incondicional no Tecnocientífico...

Mas também abordamos questões diretamente ecológicas, ainda que ligadas a outras questões como o destino das populações aborígenes, tanto na América como na África, a questão Palestina etc.

Relacionando todos esses assuntos: agrotóxicos, transgênicos, o avanço do capitalismo, da monocultura na atividade rural, temos textos muito interessantes com a contribuição de Rui Namorado Rosa, Mohamed Habib e Expresso Zica.

ANA > É possível ser ecologista sem ser anticapitalista?

Luis < Não. Definitivamente, não. Uma verdadeira consciência ecológica enfrenta radicalmente o discurso da propriedade privada e, sobretudo, o do lucro.

ANA > Uma vez o pensador Cornelius Castoriadis disse que a ecologia é subversiva, pois ela é intrinsecamente contra o capitalismo. Concorda?

Luis < Sim, estou de acordo, com a afirmação de Castoriadis. Com essa e com muitas outras de suas reflexões sobre o poder burocrático. Ainda que eu discorde muitíssimo de algumas lamentáveis visões de Castoriadis sobre a ex-União Soviética e os EUA, nos anos 80, quando eram “as duas grandes superpotências” do planeta.

ANA > Qual a sua principal crítica às ONGs ambientalistas?

Luis < A maioria, não todas, são financiadas por grupos que atuam geralmente com fundos dos ditos “primeiro mundo”, para trabalhos nos “subúrbios” do planeta. Isso cria um desequilíbrio, uma desigualdade difícil de superar. Ainda que se fale da igualdade entre todos os seres humanos, esse tipo de suporte só acentua as diferenças.

Por outro lado, o trabalho é de grupos fomentados pela iniciativa privada. Temos aí uma questão importante: combate-se sem querer o estatal e o público, que são coisas diferentes, mas que são “varridas” conjuntamente.

E a imensa maioria das ONGs ambientalistas se dedicam a encarar um único ponto, o tema que “quita” a problemática de seu verdadeiro caráter, inter-relacionado com outras questões ou temas. Fazer um trabalho ambientalista mediante métodos que desconhece o abc ecológico, as interpelações que existem não são muito boas.

ANA > No Brasil há centenas, milhares de ONGs ambientalistas, mas pouca luta ambiental efetiva, agitação de mentes e corpos. A maioria delas está voltada para a “educação ambiental”, com uma perspectiva de consumo, capitalista e financiadas com dinheiro público ou privado. Isso também se passa na Argentina, Uruguai...

Luis < Exatamente. É necessário lembrar-se de onde provém a febre de ONGs... Vem do “primeiro mundo”, quando o mundo enriquecendo se distancia mais do mundo empobrecido e o Banco Mundial e outras organizações filantrópicas decidem “ajudar” aos pobres que têm seus estados destruídos pela dívida e pelo roubo, com organizações não governamentais, é afirmar que organizações privadas que vem “finalizar” a tarefa do neoliberalismo: a destruição do público e o enaltecimento do privado.

ANA > Hoje, as grandes empresas gastam milhões de dólares por ano com publicidade nas TVs, jornais, rádios e Internet para divulgar suas “Políticas de Responsabilidade Social e Ambiental”. E normalmente adornadas com imagens de paisagens exuberantes, crianças sorrindo... Tudo uma hipocrisia?

Luis < Talvez não sejam em todos os casos, ou, ao menos, seja uma minúscula parcela de “bens intencionados”. Em alguns casos quem leva a cabo as tais “políticas de responsabilidade social” acreditam no que querem, na “ajuda” deles. Acredito que a maioria das vezes se trata de gente “boa” que não quer se corromper tanto e que aposta em “medidas corretivas”, menores, para obter a consciência limpa sem mudar radicalmente, sem perder privilégios, sem modificar a imagem do mundo que têm e onde eles são os privilegiados.

“Crises de consciência” e hipocrisia andam muito perto, a linha é tênue. Talvez a hipocrisia seja quando a consciência é a da mentira, e seja franca e forte.

ANA > E o que falar do tal “desenvolvimento sustentável”? Atualmente também não há muita farsa por trás destas palavras?

Luis < Certamente. Por trás das “ataduras” que tratava de explicar na resposta anterior. O empresário quer um desenvolvimento sustentável, mas não quer perder todas as vantagens que lhe é outorgado em sua empresa, seu “capital de giro”, sua ganância. Com isso, o “desenvolvimento sustentável” se faz mais propagandístico, mais espetacular do que qualquer outra coisa.

ANA > O curioso, e irônico, é que quem mais fala em “desenvolvimento sustentável” no Brasil, como a petroleira Petrobras e a mineradora Vale, são exatamente as empresas que mais agridem a natureza. É a mesma coisa na Argentina, não?

Luis < Claro! Isso é quase uma lei! Quem mais tem a ocultar a contaminação, por exemplo, só pode mostrar-se “preocupado” com ela. A literatura nos mostra que na História temos muitos exemplos semelhantes de comportamento. Mercantis que posam de generosos, soberbos que fingem ser humildes...

ANA > Qual é a questão ambiental mais urgente na Argentina?

Luis < A perda da biodiversidade.

ANA > E qual sua avaliação da luta ambiental na Argentina?

Luis < A luta ambiental na Argentina é pobre, pobríssima. Mas está avançando. Há que se pensar na seguinte questão: quando tivemos a “invasão” dos organismos geneticamente modificados em todo o mundo, apenas dois países tiveram sua implementação sem problemas, sem discussões, dentro dos vinte ou mais países que questionam essa questão. Os dois únicos países que nada questionaram foram a Argentina e os EUA. Com proporções pequeníssimas de resistência de pessoas, grupos, jornalistas, que estiveram contra essa abominação.

A Argentina viveu com Menem uma miragem coletiva, que fez pensar que aceitando a tudo, estariam entrando no grupo do “Primeiro Mundo”. Mas, já faz algum tempo, a luta e a consciência ecológica vem aumentando.

O povo de Esquel (Patagônia argentina) enfrentou sozinho ao governo e a uma transnacional mineradora e evitou mediante um referendo que se instalasse nas montanhas vizinhas. Isso foi histórico!

Existem muitas populações enfrentando as mineradoras, que só querem resultados máximos para suas extrações, independente do resultado negativo para os habitantes das regiões que são exploradas.

Há uma incipiente tomada de consciência contra o acúmulo do lixo. E agora, finalmente, em 2009, começamos a ver a consciências do perigo da soja “transgênica”.

ANA > O Mar Aral, que alimentava aos países da URSS agora é um deserto improdutivo, por obra da "revolução verde" do Estado soviético. África vai caminhando pelo mesmo caminho, se transformando em outro deserto, os monocultivos e os transgênicos têm devastado este continente e sua ação se aprofunda cada vez mais. Em sua opinião, por que há grande dificuldade para avançar com o tema, preservação e luta ambiental ante às contundentes evidências para, pelo menos, deter essa destruição?

Luis < Porque os interesses econômicos são muito fortes! E porque os paradigmas dominantes no plano tecnocientífico seguem o mesmo “otimismo” tecnológico e à idéia de progresso. Isso ocorre quando tanto a direita quanto a esquerda utilizam o mesmo “espectro ideológico”. Por isso é tão difícil enfrentar essa situação...

ANA > Acredita que somos testemunhas de um genocídio, suicídio ambiental por obra do capitalismo de Estado ou de mercado?

Luis < Sim. Os grandes laboratórios planetários estão espalhando muito sua influência e a guerra contra as “pragas”, os vírus, as bactérias etc., estão procurando deixar um planeta sem microflora nem microfauna. E essa situação, só tende a piorar e transformar a biodiversidade para finalmente, empobrecer toda a vida planetária. Como já foi explicado em 1974, com a invocação do Cacique Seattle, em 1855, ante os “avanços da civilização”.

ANA > Crê que este planeta pode nos sustentar com nossa atual população, cada vez mais crescente?

Luis < Creio que a humanidade tem perdido em ritmo biológico de crescimento vegetativo. O problema é que alguns querem limitar a população de pobres, outros afirmam que a culpa é do “crescimento demográfico”, quando da verdade o problema maior é a exploração dos países periféricos, o que da natureza, o esgotamento dos recursos naturais pela condição capitalista e a comodidade dos consumidores ricos, a contaminação generalizada...

ANA > Você se identifica com o “decrescimento”?

Luis < Parece-me sensato adotar alguma forma de "decrescimento" ao menos de "crescimento zero", estratégia estacionária contra o impulso tecnológico que nos leva, me parece, a um abismo planetário.

ANA > Efetivamente o tema ambiental conseguiu certo grau de penetração no anarquismo?

Luis < Sim. O anarquismo tem boas condições ideológicas para incorporar o tema ambiental, pela questão de defesa do “natural”, que por certo não existe entre todos os seres humanos, mas mesmo assim, acredito eu, que todos, pelo menos, deveriam tentar aprender a respeitar.

ANA > Uma mensagem final, esperançadora para os leitores? Obrigado!

Luis < Acreditar na vida, aprender que todo o planeta é nosso único barco, e que temos por isso que sermos próximos uns aos outros. Temos que ajudar em todas as vertentes de luta: acabar com o racismo, o chauvinismo e os sentimentos de superioridade que o europocentrismo configurou por mais de meio milênio, como também tantas outras “civilizações” também igualmente racistas como os romanos, os astecas e tantos outros.
Tradução: Palomilla Negra

June 5, 2009 | 2:06 PM Comments  0 comments

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Satisfação Sexual Sem Penetração... (às vezes o ser humano esquece de questionar o que foi ensinado como sendo "caminho certo e único"!)

Encontrei o pequeno texto abaixo em um site da internet que não existe mais, o link antigo não funciona, de toda forma se você ainda não tem um Amor, não desista, e se você já tem reserve horas e horas para praticar, à sua maneira, o ato mais lindo e significativo da vida, aprenda o que ainda quase ninguém sabe fazer!!
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"A grandeza do sexo é muito mais do que a penetração com um pénis. Trata-se da exploração das várias maneiras de excitar o seu parceiro. É explorar as várias maneiras de se excitar. Trata-se de descobrir novas formas de excitação e redescobrir as velhas.

Não deve ser envergonhado quando se trata de prazer sexual. Os parceiros que exploram o sexo seguro um com o outro podem descobrir novas formas de excitação sexual. Podem ser claros sobre como e onde gostam de ser acariciados. Podem ajudar-se mutuamente a gozar o sexo ainda mais. O jogo do sexo sem penetração é chamado Satisfação Mútua. Muitas pessoas têm relações com penetração vaginal porque pensam que é assim que deve ser. Durante muito tempo homens e mulheres foram ensinados que o bom sexo significava apenas ter um orgasmo durante uma penetração vaginal. Não há nada de mais falso. A maioria das mulheres não tem orgasmos através da estimulação vaginal. A maioria delas atinge orgasmos quando o clítoris é estimulado - sendo ou não penetradas pelo pénis. O homens também gostam do sexo sem penetração, mesmo quando sentem vergonha de dizer. Relações sexuais sem penetração com muitos parceiros podem ser mais seguras que com penetração apenas com um parceiro."

May 31, 2009 | 6:53 PM Comments  0 comments

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Pétalas, Fogo, Sina e Oração

Pétalas arrancadas e ressecadas
São como caixas amontoadas no velho distante
Você cuidou da obra fosca e inacabada?

Gotas do seu suor ainda estão naquele lugar
Agora, sólidas, formam um desenho que retrata sua urgência
As pétalas acordaram na fumaça de costume e misturam a reviravolta

Assustadas, sem a lembrança da coragem esquecida
Uma pequena folha verde, fraca, quase perdendo sua cor
Veio me contar da sua batalha árdua
Para amanhecer e renascer todo dia
E eu escutei segurando o único fio de esperança
Que me chama escondido num cantinho do meu coração

Você cuidou da obra inacabada que te feriu?

Reparei suas finas veias
Que suportam as intempéries
Um risco miúdo de água ainda corre alí
Doce, é como afeto que envolve e repara
O peso da situação que aperta demais e faz até buraco
Sua segurança é a Deusa da criação
Essa minúscula continuidade herdou a oração
Que no chão abre viga
E dele solta o fogo que espirra
E, assim abraça a sina com o esplendor que germina.

E você, sabe se a obra inacabada ainda brilha?
Consegue cuidar dela?

May 28, 2009 | 7:50 PM Comments  0 comments

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"Publicidade: Novas e antigas verdades e mentiras" - "Desconto é mentira para vender produtos mais caros"

Consumidor você tem o poder nas mãos e não se dá conta disso - ou finge que não sabe desse detalhe que faz total diferença.
Será que sente prazer em ser enganado, manipulado, prefere não enxergar?? Muitas empresas matam de um lado e tentam "arrumar" do outro! Saiba separar a bela e rara verdade da grande mentira! Abaixo mais um lembrete, afinal nunca é demais!
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"...A liberdade de criação e expressão da publicidade está limitada à ética que dá sustentação à lei. Por isso, não só não pode oferecer uma opinião como deve sempre falar e apresentar a verdade objetiva do produto e do serviço e suas maneiras de uso, consumo, suas limitações, seus riscos para o consumidor etc.

Infelizmente, nada disso impede que haja anúncios publicitários que enganem o consumidor, com métodos bem antigos. Uma forma bastante usada é o "chamariz". Este é uma modalidade de enganação que não está necessariamente atrelada ao produto ou serviço em si. Por exemplo, ouve-se no rádio o seguinte anúncio: "Os primeiros dez ouvintes que ligarem terão desconto de 50% na compra de tal produto; ou farão o curso gratuitamente etc.". Quando o consumidor liga, ainda que seja logo em seguida, recebe a resposta de que é o décimo primeiro a ligar. E em seguida recebe o "malho" de venda. Esse tipo de "chamariz" também é usado por meio de malas diretas, anúncios em jornais, na TV etc.

Outro exemplo dessa "técnica" é o "chamariz" da liquidação. Anuncia-se a liquidação, com grandes descontos, e, quando o consumidor chega à loja, a liquidação é restrita a uma única prateleira ou estante.

Esse método é usado em larga escala. Há lojistas, em véspera de época de liquidação, que aumentam o preço para depois, com o desconto, voltar ao preço anterior. E há lojas que estão em "liquidação" ou "promoção" o ano todo. Existem também produtos que são vendidos de modo que o consumidor nunca saiba qual é o preço, pois na oferta sempre consta algum tipo de desconto. É que se chama vender "descontos".

Mais outro caso: o consumidor vê na vitrina uma roupa bonita a preço baixíssimo. Entra na loja, pede a roupa, mas há um único exemplar, de tamanho fora do padrão. Ele, então, constrangido, recebe o "ataque" do vendedor, que oferece outros produtos.

O "chamariz" é, portanto, uma maneira enganosa de atrair o consumidor, para que ele, uma vez estando no estabelecimento (ou telefonando), acabe comprando algo. Muitas vezes, bem constrangido.

Além disso, é de considerar algo evidente: o anúncio será enganoso se o que foi afirmado não se concretizar. Se o fornecedor diz que o produto dura dois meses e em um ele está estragado, a publicidade é enganosa. Se apresenta o serviço com alta eficiência, mas o consumidor só recebe um mínimo de eficácia, o anúncio é, também, enganoso etc. Enfim, será enganoso sempre que afirmar algo que não corresponda à realidade do produto ou serviço de acordo com todas as suas características.

As táticas e técnicas variam muito e todo dia surgem novas, engendradas em caros escritórios modernos onde se pensa frequentemente em como impingir produtos e serviços mesmo contra a real vontade do consumidor e também fazendo ofertas que nunca se realizam efetivamente na realidade. São os produtores da mentira dessa sociedade capitalista com pouca ética."

Rizzatto Nunes
Fonte:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3770209-EI11353,00-Publicidade+Novas+e+antigas+verdades+e+mentiras.html

May 18, 2009 | 9:47 AM Comments  0 comments

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"O futuro possível: onde começa o novo humanismo"

“É preciso reencontrar as coisas belas, as sementes, as hortas”, afirma o cineasta Ermanno Olmi. “Recuperar a agricultura hoje quer dizer retomar a dignidade”, afirma o fundador do movimento Slow Food, Carlo Petrini. Nesta conversa bem informal, ambos comentam a relação com a natureza e criticam o modo de produção atual. Segundo eles, a natureza tem uma grande capacidade de se regenerar, contanto que seja deixada em paz. “A tragédia que vivemos não é econômica, mas filosófica: é preciso recuperar a essência”, afirmam. A reportagem é de Paolo Rumiz, publicada no jornal La Repubblica, 28-04-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Virá a fome, a fome do alimento justo. Virá a rejeição aos venenos e ao desperdício. Então, o filho pródigo voltará à casa do pai, redescobrirá a Boa Terra e iniciará a resistência contra o império do consumo e o saque à natureza. A hora se aproxima, os sinais são claros: o sistema está devorando a si mesmo, o barco afunda.

Conversamos sobre esses temas com o líder do movimento Slow Food, Carlo Petrini, e o cineasta Ermanno Olmi, em um diálogo “bíblico”, às vésperas da estréia do filme “Terra madre”, dedicado aos pequenos agricultores do mundo.

Como explicar que é preciso voltar à terra?

Olmi - Pensemos. Como se trai uma mulher? Quando a reduzimos a um instrumento procriativo. Mas o que é a terra senão uma mulher? Se não entendermos a sua essência vital, não compreendemos nada… A tragédia de hoje não é econômica, mas filosófica. É hora de voltar à essência, à verdade das necessidades.

Petrini - Olhe quanta dignidade os agricultores dos países pobres têm… Fazem com que pareçamos ridículos… Diante deles, vemos que somos feios, barulhentos, envenenados pelo inútil, curvados aos celulares… Pois bem, devemos explicar melhor que, hoje, voltar à terra não é mais voltar à miséria… Para evitar esta, temos a tecnologia… Mas voltar à dignidade, à beleza.

Sim, mas a nobreza das mãos não é mais representada. Nos jornais, só vemos fotos de empresários.

Petrini - É uma coisa que irrita. Nunca um agricultor, ou um pastor… Ignoram-se os novos sinais: a mulher de Obama que planta na horta da Casa Branca quer dizer alguma coisa, não? Muitos se dão contam, entendem que o agricultor pode ser rico como um rei… mais do que um empresário ou um advogado.

Olmi - Escute. Nunca como agora os empresários sentem o vazio da sua vida, entendem que desperdiçaram inutilmente… O modelo está no fim da linha, o Titanic afunda. Sabe o que estava escrito na quilha do Titanic? “Só Deus pode me afundar”. E depois…

Mas o modelo Titanic continua. Até a FAO exorta a produzir mais.

Petrini - Tolos. Empurrar a economia com o consumo é como dizer a um diabético “empanturre-se em uma confeitaria”. O consumismo faliu e deve ser recusado em todas as frentes. A velocidade deve ser combatida com lentidão; as necessidades inúteis, com a austeridade; o desperdício, com a propensão à reutilização… Resistência dura.

Olmi - Hoje, nos partidos, triunfa a palavra Liberdade. Li-ber-da-de. Sabe o que isso quer dizer? Simples. Liberdade para recuperar um modelo clamorosamente falido. Liberdade para consertar o Titanic. Liberdade para consumir, para desperdiçar, para envenenar. Se fosse eu, fundaria um partido da pobreza, entendida como redução do consumo. Não condenação, mas conquista.

Não é fácil entender. Estamos muito envenenados.

Olmi - Tranquilo. Virá a fome, e então entenderemos… A fome, quero dizer, do alimento justo… Pense na parábola do filho pródigo. De que ele se alimentava? Lavagem dos porcos. E nós? Igual. Lanchinhos, alimentos com aditivos. Porcarias. No nosso intestino, o alimento não fermenta mais, mas se putrefaz. E, assim, os mesmos que nos envenenam nos fazem gastar com remédios para acalmar os gases… Vamos acordar quando entendamos que, por trás da nossa fome, há uma tremenda saudade da qualidade. Então, o Pai virá e fará com que assem o novilho gordo… E vocês verão, será maravilhoso.

Como organizar a resistência?

Petrini - Roma passou séculos afundando… Os imperadores dispunham, julgavam, publicavam editos, mas o controle do território era tratado com desleixo. E assim, anarquicamente, nasciam aldeias com suas próprias regras. Nós vivemos um momento semelhante. Como Roma, o totalitarismo global desaba, mas continua comandando. E então se resiste construindo novas aldeias, núcleos de solidariedade, baseados não na utilidade ou no prazer, mas no bom e no justo. Comunidades da ética.

Olmi - A estratégia justa não é o choque frontal e nem a guerrilha. É ignorar os culpados, separar-se deles. Tornar-se estranhos ao seu projeto. Ajudar o filho pródigo a construir uma horta sua, a colocar debaixo da pia azeite e cinzas no lugar dos venenos, a não comprar congelados. Olhe o meu jardim: tem uma horta de oito metros quadrados e não sei como parar com ela…

Os italianos, se pudessem, encheriam a terra com galpões industriais.

Olmi - De fato, vivemos uma crise de civilização antes que uma crise econômica. Os valores, não os números, estão errados. Quem diz que a crise ou a superação da crise se mede em números não entendeu nada. Por que Marx faliu? Porque acreditava que a economia fazia a civilização. Agora cometemos o mesmo erro. Não entendemos que o nosso mundo, nos últimos dois mil anos, expressou uma única revolução: a de Cristo. Cristo, sublinho. Não a Igreja de hoje.

Petrini - É claro, precisamos de um novo humanismo. Vivemos três crises simultâneas: climática, energética, financeira. Mas todas têm uma única causa: a ganância. Um novo humanismo.

Na prática, o que isso quer dizer?

Petrini - Retorno a uma anarquia austera, com as comunidades que decidem sozinhas… A Terra é anarquia por natureza, rejeita escolhas que caem do céu… Ao ponto que até o Slow Food deve combater a tentação de querer fazer bem o bem aos outros… Mas essa multidão de ONGs em circulação não está certo, não está certo…
O risco é que já seja tarde. Muitos venenos.

Petrini - Nããão! O Tâmisa parecia morto, e olhe como está hoje… O Bormida [rio italiano] era um esgoto e está se recuperando. A terra é como o ânimo humano. Quando está destruído, do que ele precisa? Tempo, cuidado, manutenção… Exatamente o que o nosso mundo baniu.

Olmi - Não consigo me esquecer disto. Eu estava trabalhando com Renzo Piano na recuperação da Falk [indústria metalúrgica], em Sesto San Giovanni, e em um momento me dei conta que cresciam plantas na terra envenenada após um século de industrialização… Também ali, entende? A natureza tem uma capacidade monstruosa de se regenerar. Basta deixá-la em paz.

Vocês nunca se deram de cara contra o poder?

Olmi - Com os latifundiários de ontem, você até poderia se chocar. Com os de hoje, não. Não são pessoas, são fantasmas. Você não sabe quem está por trás. Bancos, crime, política, igrejas, lobby… Se você os ataca, eles não respondem. Vandana Shiva chama-os pelos seus nomes e pelos sobrenomes, os acusa de serem criminosos, e não acontece nada. Um muro de borracha.

Petrini - Os arrogantes da terra não precisam matar. Basta-lhes a imprensa para difundir apatia, descompromisso, a ideia de que toda resistência é leviana. O drama é que uma certa esquerda também pensa assim, e isso é horrível… Uma traição… Justamente eles, os meus companheiros de estrada…

Como representar a agricultura hoje?

Olmi - No filme “Terra Madre”, conta-se a história de Ernesto, um agricultor do Vêneto, que viveu em perfeita autarquia e absoluta solidão até a sua morte. Dieta bíblica sem carne, só produtos da sua terra. Certamente, não é um modelo a ser imitado. Mas a ser meditado, sim. Ele nos confiou um pedaço de terra bíblica no meio de indústrias e culturas intensivas. Mostrar a beleza desse lugar é impressionante. Faz entender como nós decaímos tão profundamente.

Petrini - Não acredito que Ernesto tenha pensado nos descendentes. O que conta é que ele nos confiou esse laboratório único… Você não tem ideia de como esse lugar é diferente do que o circunda. Outro cheiro, outra forma, outra geometria… Uma maravilha.

O que vocês dizem dos bancos de sementes nas ilhas Svalbard?

Olmi - Esse lugar não é uma conquista, é uma tragédia. Isso são as imagens que dizem, sem necessidade de comentários. Na inauguração, o comissário da União Européia, [Durão] Barroso falou de um “jardim do Éden congelado”. Mas você se dá conta? Aquele ali é o lugar onde os arrogantes da terra vão proteger a vida do colapso que eles mesmos produzem! Monsanto, Coca-Cola, Bill Gates…

Petrini - As Svalbard, um monumento à arrogância e à estupidez. Escolheram o lugar por causa do frio, não? Bem, o que fizeram? Uma caverna na rocha, quando até os burros sabem que debaixo da terra a temperatura sobe… Assim, tiveram que colocar refrigeradores… Pense que demência… Não se deve entubar as sementes, deve se fazer com que elas vivam na gratuidade e na troca…

Enquanto isso, eles se apropriam das sementes e da água.

Olmi - Você vai ver! No fim, trocaremos as sementes às escondidas, como os livros proibidos. Será o modo de despedaçar o poder deles. Não vejo outra revolta possível. Olhe esta arvorezinha que nasce. É uma macieira. Vem da semente de uma macieira que um menino de uma escola lombarda que cuidava da horta da turma me deu. Eu a plantei e agora está crescendo. Pode haver um sinal mais bonito?

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-futuro-possivel-onde-comeca-o-novo-humanismo/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

May 9, 2009 | 11:23 AM Comments  0 comments



Livro revela lado obscuro da principal fabricante de sementes transgênicas

"A revista Caros Amigos publica uma corajosa entrevista com a jornalista francesa Marie-Monique Robin, que pesquisou durante quatro anos as ações da multinacional Monsanto. Essa empresa química é conhecida mundialmente por produzir, patentear e vender sementes transgênicas de soja, milho e outros cereais.
Junto com as sementes transgênicas, ela produz e vende agrotóxicos específicos para essas sementes, o que torna os agricultores dependentes de seus produtos químicos. Antes de entrar nessa linha de produtos, a Monsanto, que tem sede nos Estados Unidos, tinha produzido o agente laranja – um desfolhante cancerígeno usado pelas forças armadas norte-americanas na guerra do Vietnã.
As pesquisas da jornalista Marie-Monique revelam que os agrotóxicos da Monsanto estão diretamente relacionados com os aumentos de câncer em várias partes do mundo. A denúncia é forte. Por isso mesmo, boa parte da grande imprensa não tem coragem para denunciar essa empresa."
Fonte: Revista Caros Amigos

Leia mais: http://loja.livrariacasavermelha.com.br/REF-478-MUNDO-SEGUNDO-A-MONSANTO-O

May 1, 2009 | 7:07 PM Comments  0 comments



Lula é o cara - Marcelo Carneiro da Cunha

Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.

Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal "tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai". Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.

Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.

Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.

Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.

O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre "banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia" que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer "Esse é o cara" afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3677589-EI8423,00-Lula+e+o+cara.html

April 3, 2009 | 10:37 AM Comments  1 comments

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